Com a mão na massa

Alunos de escolas no estado do Rio põem em prática seus conhecimentos sobre a escrita cuneiforme criando seus próprios códigos sobre argila

Alice Melo

  • Foto: Caísa PortoSobre a argila, pequenos dedos desenham códigos próprios em traços retos. A mensagem é inventada pelo criador e a intenção é que os outros a decifrem. O exercício artístico foi na verdade parte de uma aula de História, dada para turmas do sexto ano, nos arredores do Rio de Janeiro, pela professora Caísa Porto. Na ocasião, os alunos tinham seu primeiro contato com a civilização da Mesopotâmia e, para fixar melhor a matéria, foram incentivados a criarem desenhos inspirados na escrita cuneiforme – cujo exemplo mais famoso é o código de Hamurabi.

     “No currículo de História para o sexto ano geralmente apresentamos brevemente fontes históricas aos alunos – tentando explicar como os pesquisadores têm acesso ao passado”, conta a professora. “E nada melhor para ensinar isso do que uma aula prática. Os alunos ficaram muito animados, fizeram tudo com o maior capricho e, no final, realizamos uma exposição”.

    Caísa, que dá aula em três escolas – viaja durante a semana entre o bairro carioca de Padre Miguel e o município de Nova Iguaçu –, acredita que exercícios interdisciplinares sempre auxiliam na fixação da matéria, ainda mais quando o assunto é tão distante da realidade dos jovens.

    Foto: Caísa PortoFabricando fósseis

     

    Com as mesmas turmas, por exemplo, um pouco antes de entrar no campo das civilizações dotadas de escrita, a historiadora fez um trabalho sobre fósseis, tentando ensinar para as crianças sobre a origem dos homens. “Antes de leva-los ao laboratório, passei um filme sobre grupos humanos pré-históricos, tentando explicar como eles viviam e, depois, mostrei que é por meio de fósseis que podemos saber mais sobre os nossos ancestrais que não escreviam. Um fóssil contém dados e pistas sobre o objeto que está sendo investigado”.

    Dado o ponta pé inicial para despertar o interesse das turmas, ela solicitou que os alunos levassem na aula seguinte material para o trabalho: ossos de galinha, de peixes ou ossos fabricados para cachorros. Todos participaram com ânimo. A próxima fase, no entanto, não depende mais deles. Agora as turmas aguardam pela liberação daa direção das escolas para que possam entrar em contato com o material original: a ideia da professora é de fazer um passeio ao Museu Nacional, cujo acervo inclui fósseis tanto de homens pré-históricos, quanto de animais e dinossauros. "Acho que eles vão adorar", diz entusiasmada.

     

     

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