Jornalismo histórico

Projeto pensado por professor de História visita o passado do Brasil e do mundo e ganha prêmio voltado para a educação

Alice Melo

  • Alunos gravam áudio de episódio históricoHá dois anos, um professor de Belo Horizonte decidiu ensinar História de uma maneira diferente. Por meio de um trabalho com alunos do Ensino Fundamental, Marcus Vinícius Leite, diretor da Fundação Torino, criou a Rádio História 3.0 – uma espécie de estação de rádio que narra fatos marcantes do passado como se estivessem acontecendo agora. Em julho passado, a iniciativa ganhou o Prêmio Educadores Inovadores, da Microsoft, na categoria Escola Particular e agora motiva o projeto a ir mais longe.

    “Espero que outros professores Brasil a fora aproveitem o formato e montem suas rádios”, comenta Marcus Vinícius. “O custo é baixo e pode ser estimulante para os alunos aprenderem, com o trabalho prático, a gostarem um pouco mais da disciplina que nós, historiadores, tanto amamos”, acrescenta.

    A rádio é uma espécie de jornalismo histórico. Os alunos, divididos em grupos, escolhem um tema com ajuda do professor, fazem uma pesquisa sobre ele (em jornais antigos, livros, revistas, internet) e, depois, utilizam um programa de computador para narrar o fato, imaginando como teria sido feito na época. “Eles dramatizam os textos teatrais que eles mesmos montam. A pesquisa histórica transcende os livros didáticos, que são muito resumidos e não permitem a riqueza dos detalhes jornalísticos. Já tive grupo até se embrenhando na Biblioteca Pública Municipal de BH em busca de jornais da década de 1960”, diz o professor.

    No início do blog, quem fazia as “reportagens” eram alunos do nono ano do Ensino Fundamental, hoje, os mais velhos, do terceiro ano do Médio, são os que ficaram com a responsabilidade. No site, pode-se ouvir os “jornalistas históricos” (forma como são chamados pelo professor) investigando a construção e, depois, queda do Muro de Berlim; um bate-papo cheio de ruídos com o ex (no caso, futuro) presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa greve de metalúrgicos no ABC paulista, na década de 1980; o anúncio do AI-5 e até notícias sobre a gripe espanhola no Brasil.

    “Uma ‘rádio história’ nos possibilita avaliar diversas habilidades dos estudantes, aprofunda o trabalho de pesquisa e pode ter seu resultado sociabilizado em diversas mídias”, observa o professor.

    No link a seguir, um artigo de Marcus Vinícius publicado na Revista de História, em março de 2010, conta mais sobre o projeto: http://www.rhbn.com.br/secao/educacao/historia-ao-vivo

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