Relíquias de Assis

Igreja de São Francisco de Assis, em Diamantina, guarda relíquias históricas como um cofre de 1768

Felipe Sáles

  • José Paulo Cruz tem 81 anos, metade deles dedicados à Irmandade de São Francisco de Assis em Diamantina. Sua história de amor sacro começou por acaso: sua mãe sempre sonhou em fazer parte da ordem, mas era impedida por morar em outra cidade. Coube ao filho, anos depois já morando em Diamantina, tornar verdade o desejo materno.

    E Seu Zé, como é carinhosamente chamado, tornou-se um fiel dedicado. Tanto que tornou-se zelador da Irmandade, que possui uma administração autônoma, porém, claro, subordinada à Igreja Católica.

    Além disso, Seu Zé – que ganhou a vida como biólogo – tornou-se um profundo estudioso sobre igrejas e imagens sacras de Diamantina, com vários livros publicados.

     

    Jeitinho brasileiro

    A igreja de São Francisco começou a se tornar uma realidade em terras mineiras em 1726, quando um grupo de frades veio do Rio para catequizar os moradores da rica terra diamantinense. Chegaram com uma autorização papal que, porém, não incluía a criação de uma congregação. Aí, entrou em cena o tradicional jeitinho brasileiro: os frades ergueram um hospício – no caso, destinado ao acolhimento de alienados mentais –, mas, claro, aproveitaram para fazer também trabalhos sociais e orar junto ao povo.

    Em 1758 foram destituídos pela vigilância colonial, mas não desistiram. E, 13 anos depois, conseguiram, enfim, a autorização para se reorganizaram e construíram a primeira capela de Nossa Senhora da Conceição e de São Francisco de Assis.

    A atual igreja foi construída aos poucos, mas não se sabe exatamente quando foi concluída porque os documentos foram perdidos. Mas Seu Zé mantém com extremo zelo a relíquia histórica no Centro de Diamantina, como tantas outras espalhadas pela cidade. A Irmandade São Francisco de Assis conquistou a população ao longo dos séculos, desde os mais pobres a figuras proeminentes do Brasil colonial, como o marido de Chica da Silva, o contratador João Fernandes de Oliveira.

    Confira, abaixo, as fotos de algumas dessas relíquias que fazem parte do cotidiano da cidade-sede do Festival de História fHist).

     

    Fachada da Irmandade São Francisco de Assis

     

    Fundos da igreja

     

    Altar da igreja

     

    Parte do altar e teto com imagem da Imaculada Conceição, padroeira de Portugal

     

    Cofre de 1768 onde os frades guardam os valores doados pelos fieis

     

    O administrador José Paulo Cruz junto à porta lateral do altar com uma das imensas chaves da igreja

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