Começo histórico

Na abertura do fHist, Boris Fausto fala sobre as relações entre história e cidadania

Felipe Sáles

  • Público lota a Tenda dos Historiadores na noite de abertura do fHistEm clima de festa, Diamantina brindou na noite de sexta-feira (dia 7) o início da primeira edição do Festival de História, uma iniciativa da Revista de História da Biblioteca Nacional. Na mesa de abertura, as autoridades presentes destacaram o feito inédito de um evento dessas proporções colocar como protagonista do debate história. E não só aquela produzida pela Academia, mas também a história que o povo lê nas ruas, aprende nas escolas. Apesar da abertura composta por figuras como a professora Regina Horta, da UFMG, Luciano Figueiredo, da RHBN e da UFF, e Padre Gê, prefeito da cidade de Diamantina, o destaque da noite foi a palestra de abertura, proferida pelo historiador Boris Fausto. Instigando o público, Fausto refletiu sobre os motivos que levam os cidadãos a se interessarem cada vez mais pela História e por que os profissionais da área dedicam suas vidas ao assunto.

    “Não há cidadania plena sem conhecimento da história. Um cidadão pleno deve conhecer minimamente a história para se precaver das manipulações dos detentores do poder . Mas reconheço que é um ideal que dificilmente se alcança. Nem por isso devemos deixar de multiplicar esse ideal, para transformar a massa de votantes em massa de cidadãos. De todo modo, o que levam os historiadores e estudantes a fazerem tal opção é uma resposta repleta de circunstâncias ocasionais. É um quadro complexo e diverso, difícil explicar a chama que desperta em cada um essa busca pelo conhecimento. Isso é um bom ponto de partida para um livro”, comentou.

    Boris lembrou que seu interesse pelo estudo da história veio da infância.  Naquele tempo, convivia muito com o avô espanhol, que, ao perder a visão, pedia que ele lesse em voz alta artigos e reportagens sobre a Guerra Civil, na década de 1930. “Foi este o meu impulso inicial, minha primeira ligação com a História e o início do despertar do meu gosto pelo passado”, lembrou.

     

    Boris Fausto inaugura o Festival de HistóriaHistória na moda

    Da Guerra Civil Espanhola, Boris caminhou para a popularização da história nos dias de hoje. Indicou que mundialmente a história vive um momento que favorece a profusão de obras na literatura e no cinema e que despertam o interesse pelo passado junto ao público leigo. Para ele, o Brasil Império gera especial encanto talvez por uma “espécie de idealização de um período de suposta estabilidade”.

    Sobre o fHist, Boris comentou que o clima de conferências e a troca de ideias e informações sobre a produção e os estudos da história ajudam ainda mais a estimularem a pesquisa e o conhecimento. Ele acrescentou que a escolha de Diamantina como sede do evento foi muito bem sucedida: por aqui ele pode sentir a receptividade tipicamente brasileira que “vem se perdendo nas grandes capitais”.

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