O homem das sociedades

Professor Rubim de Aquino, autor de importantes livros didáticos de História para o ensino médio, morreu nesta quinta-feira (17)

Mauro de Bias

  • Faleceu na madrugada desta quinta-feira (17) o professor de História Rubim Santos Leão de Aquino. Dedicado especialmente ao ensino médio, o pesquisador ficou conhecido nacionalmente também pelos livros didáticos que escreveu e por sua abordagem analítica sobre a História.

    Entre suas obras mais importantes estão "Histórias das Sociedades - das comunidades primitivas às sociedades medievais", "Sociedade Brasileira: da crise do escravismo ao apogeu do neoliberalismo", "Sociedade Brasileira: uma história através dos movimentos sociais".

    Além de ter atuado como professor durante muito tempo, tinha orientação marxista. Seus livros se tornaram clássicos, objetos de muitas reedições, como é o caso de "História das Sociedades". Esteve sempre engajado no ensino com uma perspectiva transformadora da sociedade, em favor de uma História que explicitasse a luta de classes e a opressão do sistema capitalista.

    Militante de partidos de esquerda, como o PT e, posteriormente, o Psol, o professor Aquino cativou ainda políticos no cenário nacional, como o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ). “Fica um vazio, porque não haverá outro Aquino. Ele tinha uma maneira peculiar, singular de lidar com a História, e envolvia os alunos com graça, amizade, paixão, fé e militância. Vai fazer muita falta”, lamentou Chico.

    Para o deputado, a maior contribuição de Aquino para o ensino de História foi popularizar uma visão analítica. “Ele era muito crítico. Eu diria ainda, de maneira simplificada, que ele traduziu Eric Hobsbawm para os jovens e para os que estavam tomando contato com a História pela primeira vez. Nunca quis se fechar na academia, foi um clássico professor de ensino médio, que atingia parcelas maiores da população”, elogiou Chico, que foi aluno de Aquino e afirmou ter escolhido cursar História graças ao professor.

    O deputado ressaltou ainda a dedicação do pesquisador às pessoas. “A gente vive tempos de uma certa objetividade racionalista que beira uma frieza desumana. E disso o Aquino se ressentia muito, era uma ideia que ele não gostava”, concluiu.

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