Fim de festa

Encerramento do fHist conta com Fernando Novais refletindo sobre a historiografia, enquanto o público exalta a proximidade com historiadores e festeja o anúncio de mais uma edição do evento

Felipe Sáles

  • Novais encerrou o Festival de História em DiamantinaNo encerramento do Festival de História na manhã de quarta-feira (dia 12), o historiador Fernando Novais falou na mesa “Viver a História” sobre as diferenças entre a profissão e outras ciências. O público aproveitou o fHist até o último momento, lotando a Tenda dos Historiadores e apontando como principal característica do festival o contato próximo com grandes nomes da historiografia nacional. O coordenador do fHist, Américo Antunes, foi ovacionado ao anunciar mais uma edição do festival no ano que vem, de novo em Diamantina.

    Em sua primeira edição, o fHist contou com mais de 40 palestrantes, entre historiadores, jornalistas e escritores que se dividiram em 19 mesas durante seis dias. Já na histórica Casa da Glória, o público pôde conferir 30 oficinas, desde algumas envolvendo história e mídias sociais até formas de estimular o ensino envolvendo multimídias. O festival atraiu moradores do Amazonas, Pará, Bahia, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e, claro, Belo Horizonte e Diamantina, entre outras regiões.

     

    Proximidade com grandes historiadores

    Estudante do segundo ano do curso interdisciplinar de Humanidades da Universidade do Vale do Jequitinhonha e Mucuri, em Diamantina, Thiago Antônio de Souza, 28 anos, aproveitou a primeira edição para decidir cursar História, depois de pensar em fazer Geografia.

    “Na universidade há um distanciamento muito grande entre professor e aluno, acho que para evitar atritos. No fHist, foi o contrário. Você encontra pessoas de renome nacional e internacional nas ruas, nos restaurantes, e há uma interação muito produtiva. Mesmo após as palestras, eles te atendem e trocam e-mails para nos ajudar com bibliografias e outras questões”, comemorou Thiago.

     

    Visões diferentes

    O estudante também exaltou a oportunidade de conhecer diferentes visões à respeito de temas conhecidos. Mas não gostou de uma coisa: queria que o fHist se estendesse por mais tempo.

    “Poderia haver mais dias, com mais horários, para podermos aproveitar todas as oficinas e palestras. Às vezes, ficamos num grande dilema, mas tudo o que assisti eu gostei bastante. Foi ótimo também para fazer contatos, conhecer pessoas e novas visões de temas conhecidos da História que, talvez, eu não conheceria apenas na faculdade”, comentou.

     

    'Exame de consciência'

    Na cerimônia de encerramento, Fernando Novais começou seu discurso lembrando que, após anos de profissão, o historiador costuma cuidar de sua própria historiografia, como “uma espécie de exame de consciência”. Em seguida, fez reflexões sobre o tema dizendo que “o que constitui a memória social dos povos são os mitos”.

    Comparando com outras ciências, como a antropologia e as ciências sociais, Novais apontou diferenças fundamentais.

    “A história é alimentada pelo mito que já aconteceu, está acontecendo e vai acontecer. Há uma distância grande com as Ciências Sociais, por exemplo, que tem um objeto de estudo definido. Para os historiadores, interessa todo objeto humano em qualquer tempo e qualquer lugar. A principal diferença é que o objeto da história é infinito”, argumentou.

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