Crescimento acelerado

Em 25 anos de existência, a Cia. das Letras conseguiu se firmar como uma das maiores editoras do Brasil

  • Investimento em publicidade e aposta em autores brasileiros e biografias. Com esta fórmula simples a Cia. das Letras conseguiu abrir espaço no mercado editorial nacional e se firmar como uma das maiores editoras do país. Em 2011, ela completou 25 anos de vida a todo vapor: além do sucesso de vendas de algumas obras – chegou a liquidar, por exemplo, 15 mil exemplares da biografia do Steve Jobs e 10 mil do romance de Jô Soares, “As esganadas”, em apenas um dia -- a Cia. vendeu uma parte da empresa para o grupo inglês Penguin, um dos maiores do mundo neste ramo. Para o ano que vem, a empresa anuncia novos projetos: serão publicadas algumas obras de Jorge Amado, em comemoração ao centenário do escritor baiano, assim como uma coleção dedicada ao trabalho do poeta Carlos Drummond de Andrade.

    “Creio que a Companhia precisa entender melhor as mudanças do país, almejar dialogar com um público que costumeiramente não é o seu. Ou seja, usar o patrimônio de seu catálogo para abrir novas portas, e falar com gente mais jovem, oriunda de classes sociais que só agora têm acesso à cultura. Um público que, ademais, deseja entrar nesse mundo através de livros , filmes, teatro, arte… Gente que quer fazer parte. E que agora pode”, comenta o fundador da editora, Luiz Schwarcz, no blog da Cia.

    Sala do professor

    Grande parte do investimento direcionado a jovens leitores se dá por meio da Cia. das Letrinhas, que edita livros voltados para o público infanto-juvenil. Mas também não se encerra aí. Como a editora publica livros que são distribuídos em escolas de todo o país, há em seu site o canal “Sala do professor”, um espaço online onde educadores têm acesso a um material exclusivo, que auxilia o trabalho com algumas de suas obras em sala de aula.  Um mecanismo de busca permite ao interessado navegar tanto por anos escolares quanto por temas – ou por ambos. Cada tema tem uma abordagem diferenciada dependendo da série em que será utilizada e abrange áreas como ciências, folclore, história, literatura, matemática. Um prato cheio.

    Quando o assunto é o passado do nosso país, a Cia. das Letras, nestes 25 anos de existência, também não deixa a desejar. Ela foi uma das primeiras editoras nacionais a investir com seriedade neste filão, lançando no mercado obras que falam de maneira acessível sobre a história, capazes de captar a atenção de públicos diferenciados. As biografias se inserem neste contexto.

    Segundo Luiz Schwarcz, a publicação de biografias era vista com preconceito no início dos anos 1990. Por insistência sua, a editora em seus primeiros anos de vida encomendou projetos que se tornariam grandes sucessos, como “O Anjo Pornográfico”, biografia de Ruy Castro sobre Nelson Rodrigues, e “Chatô, o rei do Brasil”, de Fernando Morais, sobre o magnata das telecomunicações, Assis Chateaubriand. Daí para frente, este ramo do mercado editorial foi azeitado por outras publicações não só desta editora, como também de outras; possibilitando o sucesso meteórico atual de obras sobre a vida de figuras públicas, como as já citadas 15 mil cópias vendidas sobre o fundado da Apple, Steve Jobs.

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