Historiador X Jornalista

Mesa no fHist debateu os encontros e desencontros entre as obras de jornalistas e os rigores acadêmicos exigidos por historiadores

Felipe Sáles

  • Mesa com jornalistas provocou polêmica com o públicoCom muito humor e polêmica, a mesa “História para muitos” reuniu Lucas Figueiredo, Sérgio Bandeira de Mello e Eduardo Bueno, sob a mediação de Oldimar Cardoso, para discutir o trabalho de jornalistas que vêm ajudando a difundir grandes momentos da história nacional – e, também, os conflitos que essas obras geram junto ao mundo acadêmico. Bueno alegou que seus livros também podem ser utilizados como fontes de pesquisa, embora tenham como principal característica introduzir o grande público a temas históricos; e defendeu que não tem a pretensão de ser historiador: o que escreve é outro tipo de literatura, uma literatura popular que também pode ser feita pelo acadêmico desde que este escreva de forma mais fluida e acessível.

    “Nosso trabalho é encantar o cliente. Se alguém tem de sofrer com o livro, que seja o autor, não o leitor. Eu sofro para escrever para que meu leitor não passe por isso”, argumentou Bueno. “O que eu faço é uma ponte com o pop, pois sempre fui ligado ao rock e à cultura popular sem perder a erudição. O que consta em meus livros é fidedigno, mas eles nasceram como um convite lúdico para navegar na História. O ideal seria o cara pegar o livro e ler toda a bibliografia”.

    Ciência popular

    Oldimar Cardoso definiu as obras de “jornalistas historiadores” como ciência popular, que são apenas diferentes dos trabalhos de divulgação científica e história científica – classificação esta vigente, por exemplo, na Alemanha.

    Lucas Figueiredo e os demais membros da mesa concordaram, destacando momentos de fusão entre os trabalhos dos dois profissionais.

    “Jornalistas sempre se meteram no campo da história, só que agora há sucesso comercial. Existem grandes livros feitos por jornalista que se embrenharam na História, como Roberto Pompeu de Toledo em “Capital da solidão”, que conta o surgimento da metrópole paulista”, lembra Figueiredo. “O público está querendo consumir história e, naturalmente, os jornalistas têm mais facilidade de se comunicar com o leitor”.

    Bueno concordou, mas ponderou:

    “Tanto jornalistas como historiadores estão em busca de algo, perseguem fatos e documentos. Mas é absurdamente injusto querer comparar a obra e o texto do historiador com a obra e o texto do jornalista. Minhas características jornalísticas norteiam toda a minha obra, o que não poderia ser diferente após 25 anos em redação. Então, meu texto tem ganchos, frases de efeito e truques que aprendi na profissão, assim como também tem defeitos típicos como simplificações e generalizações, riscos que eu corri inconscientemente, mas que o historiador não pode jamais cometer. Porém não estou justificando: o historiador tem de tentar escrever o melhor possível. Ele é submetido a amarras e pressões diferentes, mas não nada disso é justificativa para escrever mal”, discursou Bueno.

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