Debate sustentável

Encontro internacional em Ouro Preto, que discustiu sobre patrimônio cultural e sustentabilidade com 40 autoridades do mundo, resultou em documento a ser apresentado na Rio + 20

  • A cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais, foi o palco de um encontro internacional que reuniu cerca de 40 especialistas de vários países para discutir o “Patrimônio Mundial e Desenvolvimento Sustentável”. Organizado pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan), juntamente com a Unesco, o encontro organizado entre os dias 5 e 8 de fevereiro debateu sobre a aplicação da preservação e salvaguarda do patrimônio cultural, e as políticas de desenvolvimento sustentável implementadas por vários países do mundo.

    O evento pôs em pauta também a Conferência das Nações Unidos sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, que acontecerá no Rio de Janeiro em junho e marcará o 20º aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Os três dias de atividades em Ouro Preto foram marcados por apresentações temáticas, debates e trabalhos em grupo. O resultado foi um documento síntese, elaborado pela equipe do Centro de Patrimônio Mundial da Unesco e apresentado a todo grupo em plenária final. Nas próximas três semanas, o documento deverá ser revisado pelos gestores para que seja apresentado na Rio +20.

    Europa x África

    O mapa mundi de distribuição dos bens Patrimônio Mundial (com 936 monumentos em 153 países) evidencia a relação entre o desenvolvimento econômico ea preservação do patrimônio, com maior concentração na Europa. Paradoxalmente, está alista de bens em situação de perigo, concentrados em sua maioria na África.

    “Nosso compromisso passa a ser não apenas o da preservação e salvaguarda, mas o da elevação dos padrões educacionais, da renda e do emprego, enfim, dos indicadores socioeconômicos em níveis recomendados pela ONU e suas agências. Este encontro e a Rio +20 significam a reiteração e a ampliação do compromisso do Iphan com o futuro, pois o patrimônio cultural brasileiro deve, cada vez mais, se constituir em um agente do desenvolvimento sustentável e de transformação social”, comentou o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida.

    Segundo o presidente, cada vez mais a dimensão cultural deverá ser superveniente às outras dimensões do desenvolvimento, como a social, a econômica e a ambiental, relegando ao passado as soluções parciais, incapazes de proporcionar alternativas para uma realidade complexa e dialética.

    “Ao refletir sobre novas possibilidades e alternativas de gestão, não basta olharmos o local, mas o global, pois o mundo cada vez mais fica menor” concluiu Luiz Fernando.

     

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