A carne e o sangue

Livro de Mary Del Priore prende o leitor até o fim ao narrar as idas e vindas do triângulo amoroso mais conhecido do Brasil oitocentista: Pedro I, Leopoldina e Marquesa de Santos

Cristiane Nascimento

  • A Carne e o Sangue/ Mary Del Priore /Editora Rocco / 272 páginas, R$ 34,50“Tão lindo quanto um Adônis, (...) fronte grega, sombreada por cachos castanhos, dois lindos e brilhantes olhos negros, (...) já estou completamente apaixonada”. Era assim que a princesa Leopoldina, filha do imperador da Áustria, Francisco I, imaginava seu futuro marido, o príncipe D. Pedro, já demonstrando os mais profundos sentimentos. Nem a terrível impressão que teve do Brasil, considerado sujo e abandonado, foi capaz de esfriar o entusiasmo da princesa quando ela chegou, em 1817. A vida agradável de casada foi sendo aos poucos corroída pelos problemas políticos do reino e pelas sucessivas gestações da princesa. A instabilidade política que levou à independência do Brasil afastou ainda mais o casal, e aproximou D. Pedro de sua mais arrebatadora amante, Domitila, a marquesa de Santos. Por ela, D. Pedro comprometeu suas finanças, ofendeu sua esposa e teve ameaçado o trono do Brasil.

    Com uma narrativa leve e bem encadeada, esta é uma obra que prende o leitor até o fim. O livro mostra uma imperatriz fiel ao regime absolutista, no qual foi criada, e desconfiada dos governos liberais que surgiam entre os vizinhos da América. Ao mesmo tempo, apoiava o projeto da independência como esposa devotada e por ver nele a chance de garantir o lugar de seus filhos na dinastia.

    A autora nos mostra como a imperatriz resignada seria vingada pelo tempo implacável, que se encarregaria de esfriar o romance de Pedro e Domitila, apesar de suas marcas de eternidade. Com muitos trechos de cartas trocadas pelos personagens e algumas pinturas de época, a obra envolve o leitor neste triângulo amoroso no qual o dever do sangue vence os desejos da carne.

    Avaliação: HHH

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