O conflito visto por vários ângulos

Utilizando a historiografia mais recente, produção cinematográfica pretende desmitificar a Guerra do Paraguai

Gabriela Nogueira Cunha

  • guerra do paraguai/ Imagem: Estúdio Bate & Cia_Montevideo Um documentário dividido em três episódios sobre a Guerra do Paraguai. Uma série que vai entrevistar historiadores do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai – os quatro países envolvidos – para atualizar o que se sabe desse conflito que durou de dezembro de 1864 a março de 1870 e vitimou cerca de 300 mil soldados em combate. Esta é a proposta da produção dirigida por Alan Arrais, ainda sem nome, prevista para estrear no canal TV Escola, do Ministério da Educação, no segundo semestre de 2013. “Nosso objetivo é apresentar um panorama mais recente da historiografia produzida nas regiões do conflito, revelando aproximações e distanciamentos existentes entre as diferentes visões construídas acerca deste passado em comum”, explica Rafael Farret, produtor responsável pelo levantamento de dados históricos e bibliográficos.

    A série foi rodada no Brasil e nos países envolvidos no confronto, o mais importante e sangrento dentre os ocorridos na América Latina ao longo do século XIX. “Foi o momento do apogeu da força militar e da capacidade diplomática do Império do Brasil, mas, de forma paradoxal, contribuiu para o acirramento de contradições do Estado monárquico brasileiro, enfraquecendo-o”, escreveu Francisco Doratioto, em seu Maldita Guerra – Nova história da Guerra do Paraguai.

    As gravações em lugares que têm ligação direta com o conflito, como campos de batalha e monumentos erguidos em homenagem aos soldados mortos, são pontos fortes da série, assim como a exibição de fontes ainda pouco exploradas, como documentos oficiais originais, cartas de pessoas comuns relatando o cotidiano da guerra e até mesmo fotografias tiradas nos campos de batalha. “Este foi o primeiro conflito sul-americano, e um dos primeiros do mundo, a ser registrado em fotografias, e essa iconografia até agora não apareceu com destaque”, explica Farret.

    Nomes de peso, como o das argentinas Liliana Brezzo e María Victoria Baratta, da uruguaia Ana Ribeiro e dos paraguaios Guido Alcalá e Milda Rivarola, além do próprio Francisco Doratioto, estão entre os pesquisadores entrevistados. Completando o time de fontes ouvidas pelo documentário está o historiador e pesquisador da UniRio, Ricardo Henrique Salles. Segundo ele, a série contempla um encaminhamento mais sóbrio a respeito da guerra, não apela para sensacionalismos. “O documentário já tem incorporado na cabeça dos próprios produtores e idealizadores os avanços da historiografia em relação à Guerra do Paraguai nos últimos 20 anos. Já parte da desconstrução de certos mitos, como o imperialismo inglês e o emprego maciço de escravos”.

     

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