A África de Goiás

Projeto em escola em Goiás Velho incentiva crianças a vicenciarem a cultura afro-brasileira

Cristina Romanelli

  • Criança participa de atividades no Espaço Cultural Vila Esperança, em Goiás VelhoCapoeira, atabaques, roupas tradicionais, cantos no idioma iorubá. Parece a África, mas é a cidade de Goiás Velho, onde funciona o Espaço Cultural Vila Esperança. Há mais de dez anos são realizados ali os projetos “Ojó Odé” e “Afoxé Ayó Delê”, que ajudam crianças e moradores a resgatar e a valorizar as origens africanas. A iniciativa ganhou o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Iphan, no ano passado.

    Dentro da Vila Esperança há uma escola do ensino fundamental. Semanalmente, cerca de 70 crianças aprendem música, artesanato e dança, participam de rodas de filosofia e de jogos de origem africana. “Tudo acontece em roda, numa espécie de quilombo. Nós percebemos mudanças positivas de comportamento. As crianças sentem a cultura africana, querem se enfeitar, fazer parte”, conta Robson Max de Oliveira Souza, diretor e fundador da Vila Esperança.

    Para Mônica Lima, professora de História da África da UFRJ, iniciar esse tipo de trabalho com crianças pode fazer toda a diferença. “O preconceito é construído ao longo da vida. Quando você começa cedo, consegue formar pessoas melhores, que saberão lidar com as diferenças e valorizá-las”, afirma. Mais que aprender desde cedo, as crianças acabam levando também quem está em volta. Não é difícil encontrar parentes, amigos e vizinhos participando das atividades do centro cultural.

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