Uma Câmara Colonial na Internet

Câmara de Sabará, em Minas Gerais, disponibiliza cerca de 30 mil páginas de documentos dos séculos XVIII e XIX, abrangendo desde cobrança de impostos até registros de fugas de escravos e de contratação de capitães do mato

Renato Venancio


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    Desde que foi lançando, em 2007, o Sistema Integrado de Acesso do Arquivo Público Mineiro (SIA-APM) tem disponibilizado on line grandes conjuntos documentais de Minas Gerais dos séculos XVIII e XIX. O mais recente módulo diz respeito a aproximadamente 30 mil páginas de documentação histórica referente à Câmara Municipal de Sabará.

    Trata-se de uma importante iniciativa. Até a presente data, tanto em Portugal quanto no Brasil nenhum arquivo público havia facultado acesso aos antigos registros camarários. Tal instituição regulava quase todos os aspectos da vida política e administrativa do poder local, pois as prefeituras só começam a ser implantadas após a proclamação da República.

    A Câmara de Sabará foi estabelecida em 1711. A documentação disponibilizada cobre o período referente a 1719 -1892. No Guia de Fundos e Coleções do Arquivo Público Mineiro há um resumo da história administrativa dessa instituição e valiosos instrumentos de pesquisa, cabendo destacar o Inventário Sumário da documentação em questão.

    Com certeza, o novo módulo do SIA-APM estimulará a realização de pesquisas inovadoras de história política e administrativa. Outros especialistas - como os de história social, econômica e cultural - também terão interesse em pesquisar o fundo documental da Câmara de Sabará. Em relação à escravidão, por exemplo, há documentos regulando a cobrança de impostos e compra de cativos, assim como livros de registros de fugas e de contratação de capitães do mato.

    Iniciativas como estas deveriam ser premiadas pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), pois em muito viabilizam e diminuem o custo da pesquisa em cursos de pós-graduação de História e de áreas afins.

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