Meu bisavô Giuseppe Garibaldi

Texto de Annita Garibaldi relembra a história de seu bisavô, exilado político no Rio de Janeiro, no início do Oitocentos

Annita Garibaldi

  • Giuseppe Garibaldi já depois da Revolta dos Farrapos. Fonte: Museu Histórico NacionalO jovem capitão marítimo Garibaldi chegou ao Rio de Janeiro em 1836, fugindo da Itália por ter participado de uma insurreição inspirada pelo movimento da Giovane Itália, de Giuseppe Mazzini, que lhe valera uma condenação à morte no Reino de Piemonte-Sardenha. E foi acolhido aqui por uma comunidade italiana formada por comerciantes e outros exilados. A emigração política a partir da península começou desde a década de 1820, direcionando-se inicialmente para o Oriente Médio, a África do Norte e as ilhas do mar Mediterrâneo. Garibaldi navegara por aquelas águas de 1822 a 1834. E agora que ele também se tornara um fugitivo, a comunidade de exilados em solo carioca o acolheu de braços abertos.

    No Rio, o capitão teve sua primeira escola de mazzinianismo: as idéias e os escritos de Mazzini eram mais conhecidos fora da península italiana, onde o controle do Reino de Piemonte não podia exercer influência sobre os exilados e os emigrados. No Brasil, os jornais que transmitiam as ideias da organização secreta - como “La Giovane Italia”, e em seguida “O Povo” - eram publicados com apoio financeiro das pessoas mais abastadas da comunidade italiana, e, apesar do controle rigoroso da polícia brasileira e genovês, conseguiam rápida difusão também na Europa.

    É por meio dos relatórios consulares dos diplomatas do Reino de Piemonte e Sardenha que se conhecem os nomes (às vezes somente os pseudônimos) dos filiados da Giovane Itália no Rio. São cerca de trinta, oriundos das regiões de Gênova ou Nápoles. Até a chegada de Garibaldi, o grupo mazziniano do Rio de Janeiro era coordenado por Giuseppe Stefano Grondona, comerciante exilado desde 1815. Outro filiado era o genovês Giovan Battista Cuneo (que usava o nome de batalha Farinata degli Uberti), refugiado no Brasil desde 1833 e autor da primeira biografia do general. Segundo alguns pesquisadores, a ele se deveu a conversão de Garibaldi aos ideais de Mazzini. Além desses, estava Luigi Rossetti, também genovês, filiado com o nome de Oliati. Foi o responsável pela futura participação de Garibaldi na Revolução Farroupilha.

    Havia também o engenheiro Luigi Delacazi ou Delle Case, de Verona, que fugira em 1834. No Rio, Garibaldi morou na casa dele, na Rua Fresca, 7. Foi ali onde chegou a carta de corso assinada pelo general João Manuel de Lima e Silva, substituto de Bento Gonçalves no comando supremo do Exercito Farroupilha, autorizando a pilhagem a serviço da Republica Rio-Grandense.  Garibaldi, junto com Rossetti, no dia 8 de maio de 1837, embarcouem seu navio comercial, que se chamava Mazzini, em homenagem ao revolucionário italiano.

    Nessa embarcação corsária, a serviço da Republica Rio-Grandense, começava a epopeia sul-americana do futuro general Garibaldi. E ele não estava sozinho, pois muitos daqueles“mazzinianos” lutariam ao seu lado.

    Annita Constance Beatrice Garibaldi é bisneta de Giuseppe Garibaldi. Autora de ensaios de história política e do Risorgimento, é colaboradora de varias instituições italianas ligadas à memória de Garibaldi e palestrante para os Institutos Italianos de Cultura e Institutos de História do Risorgimento.

Compartilhe

Comentários (0)