Quando Elis Regina canta “São dois para lá / dois para cá”, verso da música quase homônima de João Bosco e Aldir Blanc, pode parecer fácil, natural, como se sempre houvesse havido boleros e outras danças para se bailar juntinho. A verdade é que a dança de salão tem “apenas” dois séculos. Uma série de eventos, como uma exposição no Rio de Janeiro, relembra e comemora esses 200 anos. O ápice fica para um baile, realizado neste sábado (16), em um clube da Zona Norte carioca.Em sua dissertação de mestrado na UFRJ “A sedução do brasileiro: um estudo antropológico sobre a dança de salão”, a antropóloga Mariana Massena escreveu que pode se usar samba de gafieira, forró, “assim como ritmos com origens em outros países”, como o bolero, a salsa, o zouk, o tango e o swing para participar do arrasta-pé. Ela argumenta que a dança tem ligação na origem da representação da malandragem carioca e, em seguida, brasileira. Hoje, o que era um comportamento das classes mais baixas, quase um sinônimo de selvageria, agora estaria ligado às classes-médias, que pagam mensalidades em academias para aprender o bailado. Escreve ela em seu trabalho, de 2006:
O maxixe foi a primeira dança de salão urbana nacional a surgir no Brasil. Criado em meados do século XIX, inicialmente não estava vinculado a um gênero musical específico, sendo lançado ao som de polcas, lundus e músicas brasileiras derivadas do tango. Considerado “vulgar e de baixa categoria” (Sandroni, 2001), o maxixe era praticado em locais populares, chamados de “bailes de negros”, “arrasta-pés”, “assustados”, que, posteriormente, passaram a ser denominados de gafieiras. Tais locais concentravam-se na Cidade Nova, bairro carioca, que “em 1872 já era o bairro mais populoso da cidade e também o bairro dos divertimentos de má fama” (Sandroni, 2001). O maxixe teve força até a década de 30 do século XX, quando entrou em declínio, sendo substituído gradativamente pelo fox-trote e pelo samba.
Em artigos da RHBN, a história contada por Massena se repete. No fim da década de 1920, a casa da tia Ciata, que era frequentada por gente como Donga e Sinhô, e era “embalada por um samba que atendia às convenções da dança de salão”, havia saído de moda. Era a vez do nascimento das escolas de samba e do que ficou conhecido entre os entendidos como samba no pé, aquele estilo em que se dança sozinho.
No evento deste sábado, que ocorre no Helenico Atlético Club, no Rio Comprido, Zona Norte carioca, haverá ainda o lançamento do livro “200 anos de dança de salão no Brasil”, organizado por Marco Antonio Perna, responsável pelo site “Dança de Salão”, que reúne informações, artigos, críticas e, claro, uma agenda dos próximos bailes onde se pode exercitar o molejo.
Quem for ao evento, ainda poderá retirar um dos mil exemplares da última edição da Revista de História da Biblioteca Nacional, que estão à disposição dos participantes. Mais informações: http://premioculturadadancadesalao.blogspot.com















































































