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Especial - Arquivos Públicos + RESPONDER

Na edição de novembro da RHBN, a seção Em Dia denunciou a má conservação dos arquivos estaduais do Piauí, do Sergipe e da Bahia. O problema, no entanto, parece atingir quase todo o país. E você, o que acha do arquivo público de seu estado? Quais são os principais problemas a serem resolvidos?

Postado em 23/11/2012 às 05:12 por Alice Melo

Documentos Judiciários em Salvador

Gostaria de parabenizar a equipe da Revista de História da BN pela matéria sobre Arquivos. Em Salvador, a documentação Judiciária, que a pouco encontrava-se sob custódia do Conselho Penitenciário, foi transferida para o Presidio de Salvador. Essa documentação corresponde a primeira metade do século XX, e dentre os processos, estão os que envolve a História do Cangaço na Bahia. A mudança pera o presídio põe em risco esse acervo.

Postado em 23/11/2012 às 11:03 por Urano Andrade - #1

Arquivos no Amazonas.

Primeiro, é importante destacar o esforço da Revista de História da Biblioteca Nacional em dar publicidade país afora sobre a situação lamentável em que se encontram os nossos arquivos históricos. No Amazonas a situação é trágica. Os materiais da administração oitocentista pelo interior foram queimados ainda na década de 1970. O Arquivo do Estado está abandonado: sem desumificador, sem ar-condicionado, sem armazenamento adequado, sem instrumentos de pesquisa, goteiras e ratos a acelerar a destruição. A ação de pesquisadores é quase sempre constrangida quando o assunto é prestação de serviços voluntários. Porque há uma "indefinição" sobre quem efetivamente tem a guarda dos documentos, se a secretaria de cultura, na figura do coronel Robério Braga, se a secretaria de administração, cuja administração não existe.

Postado em 26/11/2012 às 11:59 por Ygor Olinto Rocha Cavalcante - #2

Em Goiás a situação é precaríssima

Em Goiás, a situação é precaríssima. O Arquivo Estadual do Estado não tem climatização, sofre com goteiras em dias de chuva, além de uma série de outros prolemas. A relativa organização de seus acervos é resultado da boa vontade e compromisso de seus funcionários, não de uma política séria e permanente. A situação se repete em outras instituições do Estado, sobretudo no interior, que às vezes guardam acervos raros, entregues às traças.

Postado em 27/11/2012 às 09:54 por Cleber Dias - #3

Arquivos Municipais

Acho que a Revista deveria fazer matéria também com os arquivos municipais. Quais as cidades que têm essa instituição e as que tem a situação dos mesmos. A cidade de Olinda, por exemplo, tem Arquivo PPúblico, mas também não cuida direito do seu acervo. Uma de suas séries, por exemplo foi titulada como Memória do Mundo (a série Livros Foreiros), mas não tem climatização e nem espaço para recolher documentos.

Postado em 27/11/2012 às 07:28 por Cavalcanti Junior - #4

Perigo(s)

Além de parabenizar a revista pela matéria, sugiro o aprofundamento da pauta. O tema é de grande emergência. O patrimônio documental sob responsabilidade da administração pública está exposta a uma série de situações que configura, fatalmente, um risco de perda imediata e irreversível. Realmente, muito perdemos diariamente. Ou seja, boa parte da memória da administração pública que, ao fim e ao cabo, conforma a própria memória social está conscientemente esquecida. Perde-se a cada dia, em razão das omissões da legislação em vigor; da ausência de órgãos efetivamente fiscalizadores; da ausência ou lacunas de mecanismos de gestão documental; da ausência ou mau uso dos recursos humanos, financeiros e materiais disponíveis; ou mesmo, no efeito conjugado de todos estes fatores. A situação dos arquivos públicos estaduais (e municipais, quando existem) é realmente caótica - salvo casos singulares. Mas a situação, infelizmente, pode se agravar ainda mais com decisões inapropriadas, pontuais, baseadas no senso comum, imediatistas e sem bases sólidas de conhecimento específico (temos uma área do conhecimento, a Arquivística (ou arquivologia) presente, por exemplo, em muitas universidades públicas para auxiliar nessa discussão). Com aparência de solução o que gerará ainda mais destruição: o erro imediato, corriqueiro, perceptível nos discursos solucionistas e que poderá dar fim a esse patrimônio é o uso imaturo da digitalização. Digitalizar serve apenas para essas duas situações: o acesso e a conservação. Permitir o acesso amplo e irrestrito, resguardando-se os originais do manuseio que devem estar -latu senso- organizados, sob conservação preventiva. Antes de propormos digitalizações em massa devemos fazer a lição de casa. O âmbito dos arquivos é outro passivo histórico desse país.

Postado em 27/11/2012 às 08:43 por José Cláudio Teixeira Junior - #5

Condições do APES

Parabenizo a RHBN pela matéria sobre os arquivos públicos. Em relação ao Arquivo Público Estadual de Sergipe(APES), presenciamos uma situação que é lugar comum aos arquivos públicos mantidos pelo poder executivo estadual, uma completa indiferença quando ao lugar que essas instituições ocupam na preservação da memória documental do estado, bem como, o papel de gestores de uma política de documentação oriunda da esfera pública. O APES tem um tempo de resposta às solicitações dos pesquisadores, considerado bom.É verdadeiro que temos poucos funcionários, mas os poucos que temos respondem à demanda dos consulentes, mesmo em dias de pico de consulta. Trabalho na área desde 1991, não tenho o mesmo entusiasmo com a digitalização, vejo a tecnologia como uma ferramenta, um meio facilitador do acesso a informação, porém, aos arquivos, importa mais o trabalho de elaboração de bons instrumentos de pesquisa e de organização interna, antes de se pensar em um choque tecnológico. O ideal seria que ambos ocorressem ao mesmo tempo, mas a realidade da política institucional a qual os arquivos estão vinculadas nem sempre permitem que seja assim. Apesar disso, temos no APES uma equipe digitalizado o acerco do Diário Oficial do Estado ( 1985 - 2011), cujo trabalho teve início em 2010 e já chegamos na década de 50 do século passado.Estamos tratando e digitalizando Coleções Particulares, revisando todos os instrumentos de Pesquisa, etc., etc. Nem tudo está tão ruim, mas aceitamos as críticas, inclusive para que elas cheguem nas instâncias superiores do Estado e, quem sabe, algo mude e para melhor.

Postado em 03/12/2012 às 04:42 por Milton Barboza da Silva - #6

Arquivo Estadual da Paraíba

Gostaria de parabenizar pela pela reportagem no entanto quero corrigir uma informação.Ao contrário do afirmado que a Paraíba não tem um arquivo estadual informo-lhes que a informação não é verdadeira. O estado conta sim com um arquivo estadual que se chama Arquivo Waldemar Bispo Duarte e esta localizado no chamada Espaço Cultural. A situação não é precaria no que se refere à localização mas no que se refere à organização nós que por lá sempre estamos a fazer nossas pesquisas em História da Educação no Oitocentos sabemos das dificuldades na preservação da documentação. Ou seja apesar de termos o arquivo ele sofre com os mesmos problemas de seus congeneres nacionais. Peço-lhes que retifiquem tal informação.

Postado em 13/12/2012 às 08:26 por Cristiano Ferronato - #7

Problemas também em Rondônia

Aqui em Rondônia a precariedade é semelhanete à do estado vizinho, o Amazonas. Em Rondônia sequer temos um Arquivo Público. O que existe é o antigo prédio da administração da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, conhecido como "Prédio do Relógio" e que é a sede da Secretaria Estadual de Cultura. Naquele local, os problemas são muitos: ratos, instalações elétricas antigas, havendo grande risco de incêndio, não existem as condições minímas para se arquivar todo o material histórico do estado. No "Prédio do Relógio" estão guardados todos os documentos, mapas, plantas relativos á construção da chamada "Ferrovia do Diabo", construída entre 1907-1912, em sua terceira tentativa. Para completar o quadro de descaso, o material ali guardado não está catalogado: está literalmente empilhado em vários armários, dificultando assim as pesquisas, uma vez que se precisarmos, por exemplo, de um determinado mapa, teremos que passar várias horas só para procurá-lo. Enfim, situação não muito diversa daquelas relatadas em outros estados.

Postado em 15/03/2013 às 06:06 por Leandro Guimarães Ribeiro - #8

Arquivos ao Acaso

Me preocupa em particular a situação do Arquivo Publico de Goiás. Na cidade de Pilar de Goiás, há documentação que deveria ser transferida para Goiânia mas não há infra-estrutura em nenhuma das cidades para o zelo dessa documentação tão fundamental para a compreensão da história aurífera - passada e presente - dessa cidade.

Postado em 24/03/2014 às 11:09 por leonardo cesar carmo - #9

Situação dos arquivos em Mato Grosso do Sul

Aqui em Mato Grosso a situação é parecida e temos diversos problemas para resolver. Por exemplo, após a divisão do estado de Mato Grosso a documentação do estado permaneceu lá, ou seja, os pesquisadores de Mato Grosso do Sul que desejam realizar pesquisas antes da divisão são obrigados a se deslocar até Cuiabá, pois o governo dos dois estados até o momento não resolveram a questão. O governo de Mato Grosso do Sul não faz nenhum esforço para digitalizar a documentação. Aqui em Campo Grande, temos somente a documentação pós 1977. A situação do Arquivo Histórico de Campo Grande, também é precária... o arquivo possui uma qualidade enorme de documentação, mas não tem profissionais capacitados, apenas uma historiadora. A prefeitura realizou concurso, mas até o momento não chamou ninguém. Fica num prédio privado, velho e que não permite uma boa qualidade aos atendimentos dos usuários. É triste a situação em Mato Grosso do Sul.

Postado em 29/03/2015 às 03:03 por Vinicius Rajão da Fonseca - #10